1 de 2 Telegram, aplicativo de mensagens. — Foto: Divulgação/Telegram

Telegram, aplicativo de mensagens. — Foto: Divulgação/Telegram

Alvo de uma ordem de bloqueio pela Justiça brasileira nesta sexta-feira (18), o Telegram coleciona polêmicas nos últimos anos e a fama de menos rigoroso do que os rivais, como o WhatsApp.

Ele foi criado pelos irmãos Durov, uma dupla de empreendedores da Rússia conhecida pela rede social VKontakte (VK), o "Facebook russo". Em 9 anos, se tornou um dos mais populares do mundo com mais de meio bilhão de usuários.

O aplicativo ganhou protagonismo na guerra na Ucrânia, já que tem sido usado pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Em seu canal dentro da plataforma, Zelensky envia discursos e informações sobre ataques.

O Telegram também passou a ser usado por russos que querem burlar a censura do governo de Vladimir Putin sobre os meios de comunicação.

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Raio x do Telegram — Foto: Arte / g1

Mas o que esse aplicativo tem de diferente dos outros, como o WhatsApp? Veja abaixo:

1. Mensagens e canais

O Telegram foi criado com a missão de ser um aplicativo que protegesse a liberdade e a privacidade dos usuários que trocassem mensagens através dele.

Permitindo a criação de grupos com até 200 mil participantes, o aplicativo de distanciou de um mensageiro e se aproximou de uma rede social, como o Facebook, Twitter e Instagram, na avaliação de especialistas. No WhatsApp, por exemplo, o número máximo de pessoas aceito para grupos é de 256.

A plataforma também deixa que mensagens sejam enviadas e recebidas sem divulgar o número do telefone. Além disso, há opções adicionais para controlar a exposição de dados, como permitir que só algumas pessoas possam ver quando você está on-line.

Outra característica é que o Telegram pode ser acessado em qualquer dispositivo sem depender da internet no celular.

Ainda é possível o agendamento de envio de mensagens e busca de pessoas próximas para se comunicar, recurso que exige cuidado.

2. Segurança

As conversas comuns no Telegram não são criptografadas de ponta a ponta, como acontece no WhatsApp. Essa tecnologia embaralha o conteúdo dos chats para que somente as pessoas que participam da conversa possam visualizá-lo, graças a uma chave que cada um tem.

Nos chats convencionais do Telegram há criptografia, mas ela não é do tipo "ponta a ponta". Na verdade, ela acontece na conexão com os servidores da empresa.

A empresa promete que mensagens de texto, fotos, vídeos e outros materiais compartilhados não podem ser decifrados se forem interceptados.

O aplicativo optou por essa abordagem para ter um backup em "tempo real" das conversas e permitir que diversos aparelhos se conectem na mesma conta ao mesmo tempo.

Por isso, é possível acessar o Telegram pelo computador mesmo que o seu celular esteja sem internet, por exemplo.

Apesar disso, o aplicativo oferece a opção de ativar a criptografia de ponta a ponta manualmente em cada conversa por meio do recurso "chats secretos".

3. Privacidade

As conversas do Telegram ficam guardadas nos servidores da empresa (com criptografia), o que pode acender um alerta para algumas pessoas – como ocorreu após o vazamento de conversas de autoridades brasileiras em 2019.

A promessa do app é não compartilhar esses dados com terceiros, mas como em qualquer empresa há riscos de invasões cibernéticas, ainda que sejam remotas. Eles também afirmam que não possuem vínculos com redes de anúncios e que não irão usar as informações para fins publicitários.

"O Telegram só pode ser forçado a entregar dados se um assunto for grave e universal o suficiente para passar pelo escrutínio de vários sistemas jurídicos diferentes em todo o mundo. Até hoje, divulgamos 0 bytes de dados de usuários para terceiros, incluindo governos", escreve o aplicativo em sua documentação oficial.

Como abrir uma conta no Telegram:

Colecionando polêmicas

As regras menos rígidas que os rivais também fizeram com que o Telegram se tornasse alvo de denúncias de propagação de discursos de ódio e informações falsas.

Em 2018, a plataforma chegou a ser bloqueada no seu próprio país de origem, a Rússia. Na ocasião, a empresa se recusou a fornecer ao Serviço Federal de Segurança (FSB) acesso a conversas privadas. O aplicativo era, então, popular entre os ativistas políticos, principalmente jihadistas.

Antes da suspensão, a agência de regulamentação russa Roskomnadzor deu 15 dias para que o Telegram entregasse os códigos.

Em 2017, a Indonésia também recorreu à ameaça de bloquear a plataforma para que ela tomasse medidas para inibir "propaganda radical terrorista".

O governo indonésio acusou o Telegram de ter grupos com conteúdos “cheios de propaganda radical e terrorista, ódio, meios de fazer bombas, como elaborar ataques, imagens perturbadoras, em que tudo que está em conflito é a lei da Indonésia".

Em defesa, Pavel Durov, um dos criadores do aplicativo, alegou que os canais que são acusados de propagarem conteúdo radical pelo governo indonésio seriam derrubados e que criaria uma força-tarefa para retirar mensagens com esse teor.

No Brasil, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já havia manifestado preocupação com o impacto que o Telegram pode ter nas próximas eleições. O aplicativo foi o único dos grandes a não atender ao chamado do tribunal para firmar acordos no combate à desinformação para as eleições de 2022.

Em fevereiro, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia ameaçado suspender o app por 48 horas caso não fosse cumprida a ordem de derrubar perfis associados a disseminação de discurso de ódio e informações falsas.

A plataforma, então, acatou a decisão e bloqueou as contas que eram do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, cuja prisão preventiva foi decretada em outubro do ano passado.

Uma reportagem do Fantástico do último domingo (13) mostrou que o app possui diversos grupos brasileiros que compartilham pornografia infantil, tráfico de drogas, venda de armas sem registro, propaganda neonazista, estelionato e até venda de dinheiro falsificado. Assista abaixo.

Grupos no Telegram abrigam negociações de drogas, armas, pornografia infantil

Grupos no Telegram abrigam negociações de drogas, armas, pornografia infantil

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