As chuvas destruíram plantações de pequenos agricultores e vão afetar a safra de cana.

Esse é o tempo de preparar a plantação para a colheita, que começa em setembro. Mais de 8 mil produtores e 200 mil trabalhadores vivem da cana de açúcar em Pernambuco.

Na zona canavieira, os temporais prejudicaram estradas, fizeram a terra cobrir plantios.

"Hoje, a gente contabiliza aproximadamente 30 hectares de prejuízo com relação a essas últimas águas. Canas que vocês estão vendo que foram plantadas recentemente, vamos ter de replantar ao custo de R$ 12 mil o hectare”, afirma Geraldo Barros, gerente agrícola da COAF.

Parte das 13 usinas que ajudam a fazer do Brasil o principal produtor de açúcar e o segundo maior produtor de etanol do mundo sofreu o impacto das chuvas. Uma cooperativa no município de Timbaúba é uma delas. O Rio Cruangi transbordou, encobriu a ponte, alagou o pátio. Foi uma correria para retirar os caminhões. Não deu para evitar que grandes máquinas fossem afetadas.

"Molhou muitos os motores. Na faixa de 185 motores que já tinham sido feitas revisões. As máquinas de soldas, que normalmente ficam no piso, foram todas encharcadas”, conta o gerente geral Rudimar Gonçalves.

Agora, todo o esforço é para recuperar os equipamentos que escaparam e esperar que a água que está nas barragens ajude no processamento da cana.

No assentamento onde 75 famílias cultivam frutas, legumes e hortaliças, não há com o que contar. O pessoal vive com pouco. A ponte é precária, mas é a ponte possível para ligar um lado ao outro da plantação. A água subiu e o que devia ser solo fértil virou lama.

“É ruim, né? Porque tudo que a gente tem aqui construído é com nosso próprio esforço. Assim, o pouco que a gente tem investe aqui na terra, na plantação, e a gente fica assim sem ação, sem saber de onde vai começar de novo”, diz Lene da Silva, presidente da associação dos agricultores.

O agricultor Jorge Francisco da Silva salvou um único cacho de bananas: "Eu não tive mais prejuízo por conta que eu não plantei milho aqui, plantei lá em cima”, diz.

O agricultor Davi Lins da Silva plantou o milho que colheria em breve, de olho nas festas juninas. Não salvou nada das 15 mil espigas do milharal e ainda perdeu a produção de 800 pés de goiaba e 400 pés de mamão.

"Começar tudo de novo. Para mim, a solução é começar tudo de novo”, lamenta Davi.

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