Por pressão do governo Chinês, o Alibaba Group está demitindo mais de um terço de sua equipe interna de negócios, segundo matéria exclusiva da Reuters. A informação vem de quatro fontes ouvidas pelo veículo, que apontam como principal motivo a ampla repressão regulatória de Pequim, que desacelerou acentuadamente o ritmo de negociação do gigante do e-commerce.

(Foto: Divulgação/Alibaba)

O Alibaba planeja reduzir sua equipe de investimento estratégico de mais de 110 pessoas, principalmente sediadas na China continental, para cerca de 70, disseram duas das pessoas ouvidas pela Reuters, acrescentando que a empresa já informou a uma grande parte dos funcionários sobre a redução.

Os cortes de empregos envolvem principalmente pessoas de nível médio e sênior no continente, disseram as fontes, que não quiseram ser identificadas porque não estavam autorizadas a falar com a mídia. A equipe de negócios da empresa também tem funcionários em Hong Kong, acrescentaram. Procurado, o Alibaba não quis comentar o assunto.

Cenário previsto

O Alibaba e seu principal rival Tencent planejavam cortar dezenas de milhares de empregos combinados este ano em uma de suas maiores rodadas de demissões, já que a repressão e as restrições à Covid-19 da China sufocaram o crescimento.

A ByteDance, proprietária do TikTok, também encolheu sua equipe de investimentos e estava dissolvendo um subgrupo focado em retornos financeiros em resposta a repressões regulatórias na China, disseram fontes familiarizadas com o assunto à Reuters em janeiro.

Os reguladores chineses lançaram uma campanha sem precedentes no final de 2020 para conter os gigantes de tecnologia do país após anos de abordagem laissez-faire que impulsionou o crescimento e a negociação em velocidade vertiginosa.

No domingo, o regulador de mercado da China impôs as últimas multas ao Alibaba e à Tencent, bem como a uma série de outras empresas por não cumprirem as regras antimonopólio sobre a divulgação de transações.

A repressão regulatória, juntamente com uma economia em desaceleração, fez cair acentuadamente o crescimento das vendas para a maioria das empresas de internet, esmagou os preços de suas ações e tornou muito mais difícil o aumento de capital e a expansão dos negócios.

Isso, por sua vez, forçou empresas como Alibaba e Tencent a buscar maneiras de cortar custos operacionais.

Ascensão e queda

O Alibaba do bilionário chinês Jack Ma foi um dos investidores corporativos mais ativos da China, tendo construído um ecossistema de empresas de portfólio em setores como varejo, serviços locais e mídia e entretenimento.

Ao longo dos anos, o Alibaba atraiu talentos de grandes bancos de Wall Street e fundos de private equity, incluindo o veterano negociador do Goldman Sachs, Michael Evans, para fortalecer suas capacidades internas de negociação.

Em 2016, quando as empresas chinesas estavam ativamente adquirindo ativos globalmente, a equipe interna de investimentos do Alibaba cresceu para cerca de 150 pessoas, três vezes maior que a da Tencent, em uma tentativa de sustentar seu esforço global de negócios, informou a Reuters.

De 2015 a 2021, o Alibaba fez, em média, cerca de 44 investimentos por ano, atingindo o pico em 2018 com 70 negócios totalizando US$ 54 bilhões, segundo a Dealogic. Mesmo durante a repressão regulatória de 2021, ela cortou 38 negócios, totalizando US$ 6,2 bilhões. Este ano, no entanto, o Alibaba fez apenas nove investimentos no valor de US$ 5,2 bilhões.

A empresa começou a demitir funcionários de suas outras unidades de negócios em fevereiro e pode acabar demitindo mais de 15% de sua força de trabalho total, ou cerca de 39.000 funcionários, informou a Reuters em março.

Fonte: Reuters

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