Um levantamento mostrou como o rendimento do trabalhador rural pode variar dependendo da região do país.

“Monitorar um bicho, ver se não está doente, com carrapato, se não está atolado em um valo, uma cerca arrebentada”, conta o trabalhador rural Maick Rodrigues Lucas.

O campo tem atraído mais gente. Na pandemia, a agropecuária passou a contar com mais 460 mil trabalhadores. Um retrato inédito do brasileiro do campo feito por pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas aponta que, nesses dois anos, o mercado de trabalho nas pastagens e lavouras se saiu melhor do que o mercado brasileiro em geral.

Mas a realidade na agropecuária não é uma só. O ganho médio de quem trabalha com agricultura em Mato Grosso passou dos R$ 3,5 mil nos três primeiros meses de 2022 – mais de sete vezes do que no Piauí, lugar de lida da trabalhadora rural Maria das Graças Silva do Nascimento.

“Se nós tivéssemos área irrigada, nossa safra era maior, nosso lucro também, porque tem meses que não chega nem a R$ 300. Imagina R$ 500 por mês?”, conta.

Na pecuária, o Piauí também ficou em último lugar no ranking de rendimentos. Quem está no Rio Grande do Sul ganhou o quíntuplo. Com carteira assinada, o Maick se sente valorizado.

“Meu salário está bom, não dá para se queixar. Teve mais baixo, aumentou agora”, diz.

A desigualdade de renda na produção agropecuária revela que estamos diante de dois “Brasis”: um que, segundo os estudiosos do campo, atua com tecnologia de ponta, é mais profissional e tem mais condições de competir; e outro com sistemas de produção mais desatualizados e com um quadro de emprego menos formalizado. Disparidades que dividem o mapa do país.

“A gente tem a região Sul e a região mais Centro-Oeste como os grandes centros de produção. Mesmo quando a gente olha dentro da região Nordeste, a gente tem uma discrepância bastante significativa dos dados. Quando a gente olha ali para Alagoas, Piauí, Sergipe, a gente enxerga um rendimento médio muito menor do que outras regiões mais profissionalizadas dentro do próprio Nordeste, como eu poderia destacar aí a região sul da Bahia. Enxergar essas diferenças ajuda inclusive o governo a desenhar políticas especificas para essas regiões, auxiliar essas regiões no processo de maior profissionalização da agricultura e da pecuária brasileira”, explica André Diz, pesquisador da FGV Agro.

É o que o criador de gado José Miguel da Silva espera no sertão da Paraíba: “Eu tirava um leitinho aqui para vender, mas quando eu fui fazer as contas, no final de semana eu não tinha dinheiro para comprar um quilo de carne”, diz. Foi aí que ele mudou a produção no pasto de leite para carne.

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