1 de 1 Porto Alegre é uma das primeiras capitais a receber a tecnologia 5G no Brasil — Foto: Jefferson Bernardes/PMPA

Porto Alegre é uma das primeiras capitais a receber a tecnologia 5G no Brasil — Foto: Jefferson Bernardes/PMPA

Foi aprovada nesta quarta-feira (27) a liberação do sinal de internet 5G em Porto Alegre. O início do serviço, porém, deve acontecer na sexta-feira (29), após compensação financeira das operadoras.

Em entrevista coletiva realizada pela manhã, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou que a frequência já foi liberada e pode ser usada na capital gaúcha. João Pessoa (PB) e Belo Horizonte (MG) também devem ter o sinal a partir de sexta.

"A partir de amanhã (28) serão liberados os boletos. Assim que pagarem, poderá liberar a estação rádio-base", diz o conselheiro Moisés Queiroz Moreira, presidente do Grupo de Acompanhamento da Implantação das Soluções para os Problemas de Interferência na faixa de 3.625 a 3.700 MHz (Gaispi).

Porto Alegre terá, segundo o Gaispi, 103 estações ativadas, que custam, cada uma, R$ 1,3 mil. Esta quantidade está 80% acima do mínimo exigido.

Até terça (26), não havia confirmação dos locais onde estão instaladas as antenas que já oferecem o sinal 5G, mas os primeiros locais de Porto Alegre a ter a frequência disponível, segundo a prefeitura, devem ser a Orla do Guaíba, o Cais, o Centro Histórico e o Quarto Distrito, além de bairros como Bom Fim e Rio Branco, onde há grande concentração populacional.

"É um processo contínuo. Até 2025, uma vez a faixa estando liberada, nada impede que as operadoras coloquem para funcionar tudo ao mesmo tempo. Mas tem um cronograma para que as empresas vão adensando a distribuição nesses quatro anos", afirma Vinicius Oliveira Caram Guimarães, superintendente de Outorga e Recursos à Prestação da Anatel.

O 5G deve entregar mais velocidade para baixar e enviar arquivos, reduzir o tempo de resposta entre diferentes dispositivos e tornar as conexões mais estáveis.

"É importante que o usuário faça contato com as operadoras, para saber se o aparelho está apto, se precisa trocar o chip, para tirar todas essas dúvidas", acrescenta Moreira.

5G em Porto Alegre

Porto Alegre tem 291 antenas de 4G licenciadas, que podem ser substituídas por 5G de acordo com a demanda e os planos de cada operadora. Dez vezes mais rápida, a internet 5G exige de cinco a 10 vezes mais antenas do que o 4G.

As operadoras estão negociando com as concessionárias das placas de rua e da iluminação pública de forma gradativa e em paralelo com as antenas privadas. Além das 291 antenas já licenciadas, Porto Alegre também está preparada para receber antenas 5G no mobiliário urbano, ou seja, em:

A obrigação das operadoras é instalar uma antena para cada 100 mil habitantes, mas a prefeitura estima que esse número será superado rapidamente.

O que muda

Infográfico mostra vantagens do 5G em relação ao 4G. — Foto: Wagner Magalhães/Arte G1

A média da velocidade 4G no Brasil entre as quatro maiores operadoras é de 17,1 Mbps (megabits por segundo), de acordo com um relatório da consultoria OpenSignal de maio de 2021. O 5G, por sua vez, pode chegar à velocidade entre 1 e 10 Gbps – uma diferença de 100 vezes ou mais em relação ao 4G.

Essa diferença diz respeito somente à velocidade. Mas o 5G também promete baixa latência, ou seja, um tempo mínimo de resposta entre um aparelho e os servidores de internet – aquele "delay" que acontece em ligações em vídeo, quando é preciso esperar uns segundos até que a pessoa do outro lado veja e ouça o que falamos.

Outra característica do 5G que difere das gerações de rede anteriores é que ele poderá lidar com muito mais dispositivos ligados ao mesmo tempo. A conexão também será mais confiável, pois um aparelho vai poder se conectar com mais de uma antena ao mesmo tempo.

Tecnologias como os carros autônomos e a telemedicina devem avançar com o 5G, bem como a chamada "indústria 4.0" com toda a linha de produção automatizada. Cirurgias feitas remotamente, por exemplo, serão mais confiáveis quando a rede oferecer um tempo de resposta mínimo.

Será preciso ter um celular compatível com a tecnologia 5G. Em julho de 2022, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) listava cerca de 60 modelos homologados. Há aparelhos partindo de R$ 1,3 mil. Com o tempo, a tendência é que todos incorporem a compatibilidade, assim como aconteceu com o 4G.

G1 Explica: a revolução do 5G

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